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domingo, 9 de janeiro de 2011

Uma vida entre vírgulas

Junto à biografia lançada pelo escritor americano Benjamin Moser, chegam às livrarias publicações que tentam desvendar a obra e a personalidade da autora de 'A Hora da Estrela', cuja obra ganha importância cada vez maior fora do Brasil


Clarice Lispector parece ser assunto permanente nas rodas de leituras, debates e palestras. A enigmática escritora – que foi colunista do Jornal do Brasil entre 1967 e 1973 – sempre foi alvo de livros, teses acadêmicas e reportagens que, a princípio, tentam decifrá-la. A recente biografia escrita por Benjamin Moser, Clarice, (lê-se “Clarice vírgula”), editado pela Cosac Naify, o livro de contos e crônicas Clarice na cabeceira (Rocco), organizado por Teresa Monteiro, e a tese O percurso das personagens de Clarice Lispector (Garamond), de Bernadete Grob-Lima, comprovam essa incessante busca.
Apesar de ser estudado em universidades do mundo inteiro, o nome Clarice Lispector ainda soa estranho em muitos países, como os EUA. Quando a biografia de Moser foi lançada por lá, em agosto, a maioria das resenhas tratava a escritora como “uma grande descoberta” que deveria “ser mais conhecida”. Fascinado pela escrita intimista de Clarice e com o objetivo de divulgar sua obra, Moser aprendeu português e percorreu todos os lugares por onde a família Lispector passou, da agreste Podólia, na Ucrânia, ao famoso apartamento no Leme, onde a escritora passaria o resto de seus dias.
– Sempre quis fazer algo para torná-la mais conhecida – explica Moser, de 33 anos. – Esperava que alguém fizesse alguma coisa. Os anos passaram e ninguém fez nada. Então pensei: “Por que não eu?”. A julgar pelas reações positivas, pelo menos nos países de língua inglesa, acho que estou perto do meu objetivo.