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quinta-feira, 10 de março de 2011

A vida é um truque da morte

Poeta da geração dos anos 50, Fernando Fortes parou de publicar, mas não de escrever


Ele participou ativamente do movimento de renovação da poesia brasileira nos anos 50, mas seu nome não figura ao lado de contemporâneos como Ferreira Gullar e Mário Faustino. Apesar de pouco conhecido, em um concurso da Biblioteca Nacional para eleger o mais importante poeta brasileiro vivo, realizado em 1998, Fernando Fortes recebeu quatro votos, sendo um deles bem valioso: o de Gullar, que levou o primeiro lugar.

– Fiquei muito envaidecido com o voto do Gullar – diz o poeta, escondendo um sorriso precedido de um lento silêncio.

Carlos Fernando Fortes de Almeida tem motivos para se emocionar. Há 50 anos, publicou no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil - o SDJB – o longo poema "Canto pluro", cuja última edição em livro, que data de 1982, é raridade nos sebos. Atestando seu talento, em uma carta de 1983, Antonio Houaiss considerou os poemas de Fernando “tão bem lavrados, tão bem mentados, tão bem articulados (...) que sua modernidade chega a constituir espanto”.

Mesmo ficando em terceiro lugar no 1º Festival de Poesia de Porto Alegre, em 1958. com Tempos e coisas – seu primeiro livro – Fernando Fortes só ganhou mais notoriedade depois da publicação de seus poemas no SDJB. Escrevendo desde os 15 anos, Fernando freqüentava a redação do Jornal do Brasil, onde participou de toda efervescência artística propiciada pelo famoso suplemento, precursor dos cadernos culturais.